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27 de Junho de 2022
  • 2º Grau
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Tribunal Superior do Trabalho TST - EMBARGOS DECLARATORIOS RECURSO DE REVISTA: E-ED-RR 175000-36.2009.5.03.0019 - Inteiro Teor

Tribunal Superior do Trabalho
há 7 anos

Detalhes da Jurisprudência

Publicação

DEJT 01/06/2015

Relator

Emmanoel Pereira

Documentos anexos

Inteiro TeorTST_E-ED-RR_1750003620095030019_4f445.pdf
Inteiro TeorTST_E-ED-RR_1750003620095030019_e178d.rtf
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Inteiro Teor

0105000002000000180000004d73786d6c322e534158584d4c5265616465722e362e3000000000000000000000060000d0cf11e0a1b11ae1000000000000000000000000000000003e000300feff090006000000000000000000000001000000010000000000000000100000feffffff00000000feffffff0000000000000000fffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffdfffffffeffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffff52006f006f007400200045006e00740072007900000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000016000500ffffffffffffffffffffffff0c6ad98892f1d411a65f0040963251e5000000000000000000000000f0f30a046653cf01feffffff00000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000ffffffffffffffffffffffff0000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000ffffffffffffffffffffffff0000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000ffffffffffffffffffffffff0000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000105000000000000Embargante:ALVARO ROSCOE DANIEL JUNIOR

Advogado :Dr. Evandro Braz de Araújo Júnior

Embargada :CAIXA ECONÔMICA FEDERAL - CEF

Advogado :Dr. Leandro Giorni

D E S P A C H O

A 5ª Turma desta Corte não conheceu do recurso de revista obreiro, quanto ao tema -auxílio-alimentação - natureza jurídica indenizatória-.

Contra esta decisão, os reclamantes interpõem embargos à SDI-1, com base no art. 894, II, da CLT.

É o relatório.

FUNDAMENTAÇÃO

O recurso é tempestivo, está subscrito por advogado regularmente habilitado e o preparo é desnecessário, razão pela qual prossigo no exame de admissibilidade.

A Egrégia 5ª Turma, na fração de interesse, não conheceu do recurso de revista dos reclamantes, com base nos seguintes fundamentos:

(...)

1.2.4. AUXÍLIO ALIMENTAÇÃO. NATUREZA SALARIAL.

RAZÕES DE NÃO CONHECIMENTO

Eis o teor da decisão regional:

-No caso destes autos, parte dos Rectes pleiteou e obteve o reconhecimento judicial que a verba de auxílio alimentação tem natureza salarial, sendo deferidos os reflexos determinados na r. sentença.

Essa parte do pedido foi julgada procedente em relação aos Rectes Frederico Marsicano Neto e Jamile Julião, porque admitidos em 18.06.1984 e 23.06.1980, respectivamente, ainda sob a égide da Ata 23/1970, e improcedente quanto aos demais, porque admitidos posteriormente: Álvaro Roscoe Daniel Júnior em 28.08.1989, Cléa Simone Hespanhol em 20.10.1989, Márcio André Galindo em 26.10.1989 e Vânia de Oliveira Cassiano em 15.03.1989.

O reconhecimento da natureza salarial do auxílio alimentação pode ser constatada na prova documental anexada, em especial para os empregados da CEF admitidos antes de 01/09/1987, data em que o programa de auxílio à alimentação, propiciado pela empregadora, foi alterado, passando a ter natureza jurídica indenizatória, com entrada em vigor do acordo coletivo de 1987/1988 (fls. 285/306), regra que foi renovada nos instrumentos normativos subseqüentes, restando consolidada, de forma definitiva, com a adesão da empregadora ao Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT), em 20/05/1991.

Essa conclusão decorre do teor do parágrafo 2º da cláusula 5ª do acordo coletivo de 1987/1988:

"O benefício de que trata esta cláusula terá caráter indenizatório, não sendo considerado como verba salarial para quaisquer efeitos, e será utilizado para ressarcimento de despesas com alimentação" (fls. 493, 3º volume).

Portanto, no decorrer do tempo, a parcela de auxílio alimentação concedido pela CEF sofreu mutação na sua natureza jurídica, passando de parcela salarial a parcela de natureza jurídica indenizatória.

Para aqueles empregados admitidos antes de 01/09/1987, as Resoluções vindas às fls. 63/77, notadamente a Resolução nº 81/78 (fl.76), faz expressa referência ao auxílio-alimentação como salário in natura. Daí a concessão "dobrada" nos meses de dezembro de cada ano e sua extensão aos aposentados e pensionistas.

Sendo assim, pelo princípio do direito adquirido (inciso XXXVI artigo 5º da Constituição Federal), o reconhecimento da natureza salarial da verba decorre do exame da prova documental. Sem esquecer que foi publicada no DOU de 20.04.2005 a Orientação Jurisprudencial Transitória nº 51, resultado da conversão da antiga Orientação Jurisprudencial nº 250 da SBDI-1 do Colendo TST, do seguinte teor:

"Nº 51. COMPLEMENTAÇÃO DE APOSENTADORIA. CAIXA ECONÔMICA FEDERAL. AUXÍLIO-ALIMENTAÇÃO. SUPRESSÃO. SÚMULAS NºS 51 E 288. (conversão da Orientação Jurisprudencial nº 250 da SBDI-1, DJ 20.04.2005). A determinação de supressão do pagamento de auxílio-alimentação aos aposentados e pensionistas da Caixa Econômica Federal, oriunda do Ministério da Fazenda, não atinge aqueles exempregados que já percebiam o benefício (ex-OJ Nº 250 da SBDI-1 - inserida em 13.03.02)".

Como os Rectes Frederico Marsicano Neto e Jamile Julião foram admitidos, respectivamente, em 18.06.1984 e 23.06.1980, durante a vigência da norma do regulamento empresário que atribuiu, de forma expressa, natureza salarial ao auxílio-alimentação, esta condição aderiu ao respectivo contrato de trabalho, pois a natureza salarial do auxílio alimentação foi reconhecida pela própria empregadora, naquela época.

O benefício era concedido em razão da prestação de serviços, isto é, em retribuição ao trabalho, e não para o trabalho, o que revela, uma vez mais, a natureza salarial, nos termos do artigo 458 CLT.

Incorporada, por determinação da própria empregadora, à remuneração dos empregados, não mais poderia ser desvinculada do salário. Portanto, sendo parte integrante da remuneração, de natureza jurídica salarial, o direito está assegurado por dispositivo legal (artigo 458 CLT).

Por essa razão, a alteração da natureza jurídica da parcela resulta em lesão, não podendo ser admitido que as alterações ocorram em detrimento ou prejuízo de cláusulas contratuais benéficas (artigo 468 CLT), reconhecidas e integradas ao contrato de trabalho. Esse o entendimento do item I da Súmula 51 do Colendo TST, que dá respaldo ao entendimento acima.

(...)

Pretendem os Rectes a reforma da r. sentença que julgou improcedente o pedido, em relação aos obreiros Álvaro Roscoe Daniel Júnior, Cléa Simone Hespanhol, Márcio André Galindo e Vânia de Oliveira Cassiano, porque admitidos posteriormente.

Sem razão, contudo.

Como decidido no recurso da Recda, o reconhecimento da natureza salarial do auxílio alimentação somente é devida os empregados da Caixa Econômica Federal admitidos antes de 01/09/1987, data em que o programa de auxílio à alimentação, propiciado pela empregadora, foi alterado, passando a ter natureza jurídica indenizatória, com entrada em vigor do acordo coletivo de 1987/1988 (fls. 285/301), regra que foi renovada nos instrumentos normativos subseqüentes, restando consolidada, de forma definitiva, com a adesão da empregadora ao Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT), em 20/05/1991.

À presente hipótese é aplicável o entendimento do item I da Súmula 51 do Colendo TST:

-NORMA REGULAMENTAR. VANTAGENS E OPÇÃO PELO NOVO REGULAMENTO. ART. 468 DA CLT (incorporada a Orientação Juris-prudencial nº 163 da SBDI-1) - Res. 129/2005, DJ 20, 22 e 25.04.2005 I - As cláusulas regulamentares, que revoguem ou alterem vantagens deferidas anteriormente, só atingirão os trabalhadores admitidos após a revogação ou alteração do regulamento. (ex-Súmula nº 51 - RA 41/1973, DJ 14.06.1973)-

Considerando que todos os Rectes que tiveram o pedido indeferido foram admitidos posteriormente a 01.09.1987, deve ser negado provimento ao recurso.- (Fl. 624 - numeração eletrônica)

Inconformados, interpõem os reclamantes recurso de revista, ao argumento de que receberam o auxílio-alimentação em dinheiro, desde suas admissões até novembro/1992, sob a rubrica de -reembolso despesa alimentação- nos seus contracheques, pelo que fica demonstrada a natureza salarial do benefício. Alegam que a reclamada somente aderiu ao PAT em 21/5/1991, mais de dois anos após a admissão dos reclamantes.

Apontam divergência jurisprudencial, contrariedade às Súmulas nº 51, I, e 241 e afronta aos artigos 444, 458 e 468 da CLT e 5º, XXXVI, da Constituição Federal.

O recurso não alcança conhecimento.

Consoante se depreende da transcrição acima, o egrégio Tribunal Regional consignou que os reclamantes foram admitidos no ano de 1989, quando já havia norma coletiva dispondo acerca do caráter indenizatório do auxílio-alimentação.

Este Tribunal Superior tem sido firme no entendimento de que cláusula coletiva que estabelece ao auxílio-alimentação caráter de verba indenizatória tem amparo no artigo 7º, XXVI, da Constituição Federal, o qual prestigia os acordos e convenções coletivas de trabalho. De modo que tem aplicação aos empregados admitidos após a celebração da norma coletiva.

Nesse sentido, os seguintes precedentes desta Corte:

-AGRAVO DE INSTRUMENTO EM RECURSO DE REVISTA. Constatada violação de preceito constitucional, merece ser processado o Recurso de Revista, nos termos do art. 896, c, da CLT. Agravo de Instrumento provido. RECURSO DE REVISTA. AUXÍLIO-ALIMENTAÇÃO. NATUREZA INDENIZATÓRIA. FIXAÇÃO EM INSTRUMENTO CONVENCIONAL. VALORIZAÇÃO E PRIORIZAÇÃO DA NEGOCIAÇÃO COLETIVA. É preciso prestigiar e valorizar a negociação coletiva assentada na boa-fé, como forma de incentivo à composição dos conflitos pelos próprios interessados. Condições de trabalho e de salário livremente ajustadas, com o objetivo de dissipar razoável dúvida quanto ao alcance de determinada norma, devem ser prestigiadas, sob pena de desestímulo à aplicação dos instrumentos convencionais, hoje alçados em nível constitucional (art. 7.º, XXVI, CF). Se previsto em norma coletiva que o pagamento do auxílio-alimentação tem caráter indenizatório, admitida a Reclamante após a celebração da referida negociação, não há como se lhe reconhecer natureza diversa. Recurso de Revista conhecido e provido.- (Processo: RR - 94240-56.2008.5.18.0007 Data de Julgamento: 23/6/2010, Relatora Ministra: Maria de Assis Calsing, 4ª Turma, Data de Divulgação: DEJT 6/8/2010.) (sem grifos no original)

-AGRAVO DE INSTRUMENTO. AUXÍLIO-ALIMENTAÇÃO. NATUREZA JURÍDICA INDENIZATÓRIA. ESTABELECIMENTO EM NORMA COLETIVA COM VIGÊNCIA ANTERIOR À ADMISSÃO DO EMPREGADO. AMPARO NO ARTIGO 7º, XXVI, DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. NÃO PROVIMENTO. 1. A iterativa, notória e atual jurisprudência desta Corte é de que o estabelecimento da natureza indenizatória do auxílio-alimentação por meio de norma coletiva tem amparo no artigo 7º, XXVI, da Constituição Federal, devendo ser aplicado ao empregado admitido após a celebração do referido instrumento normativo. 2. Na hipótese dos autos, o Tribunal Regional concluiu que o auxílio-alimentação recebido pela reclamante tinha caráter indenizatório, porque admitida na reclamada quando já vigia norma coletiva nesse sentido. 3. Nesse prisma, a decisão regional se encontra em harmonia com o entendimento deste Tribunal Superior, o que inviabiliza o destrancamento do recurso de revista, nos termos da Súmula nº 333 e do artigo 896, § 4o, da CLT. 4. Agravo de instrumento a que se nega provimento.- (Processo: AIRR - 117240-43.2007.5.06.0011 Data de Julgamento: 5/5/2010, Relator Ministro: Guilherme Augusto Caputo Bastos, 7ª Turma, Data de Divulgação: DEJT 14/5/2010.)

-AGRAVO DE INSTRUMENTO. AUXÍLIO-ALIMENTAÇÃO. NATUREZA JURÍDICA INDENIZATÓRIA. PREVISÃO EM NORMA COLETIVA COM VIGÊNCIA ANTERIOR À ADMISSÃO DO EMPREGADO. AMPARO NO ARTIGO 7º, XXVI, DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. NÃO PROVIMENTO. 1. Cláusula coletiva que confere ao auxílio-alimentação caráter de verba indenizatória tem amparo no artigo 7º, XXVI, da Constituição Federal - o qual prestigia os acordos e convenções coletivas de trabalho - e é aplicável aos empregados admitidos após a celebração da norma coletiva, como é o caso da reclamante, que foi admitida quando já vigoravam as normas instituidoras do benefício, bem como do seu caráter indenizatório. Precedentes. 2. Agravo de instrumento a que se nega provimento.- (Processo: AIRR - 79940-28.2007.5.15.0098 Data de Julgamento: 16/6/2010, Relator Ministro: Guilherme Augusto Caputo Bastos, 2ª Turma, Data de Divulgação: DEJT 28/6/2010.)

-AGRAVO DE INSTRUMENTO EM RECURSO DE REVISTA. AUXÍLIO-ALIMENTAÇÃO. NATUREZA INDENIZATÓRIA. PREVISÃO EM NORMA COLETIVA. Conforme consignado pelo Regional, o reclamante foi admitido quando a Circular Normativa nº 083/89 e as normas coletivas da categoria profissional previam a natureza indenizatória do auxílio-alimentação. Não há contrariedade às Súmulas 51, I, e 241 do TST, tampouco violação do art. 458 da CLT. Agravo de instrumento conhecido e não provido. ( AIRR - 101940-71.2007.5.06.0001 , Relatora Ministra: Dora Maria da Costa, Data de Julgamento: 14/10/2009, 8ª Turma, Data de Publicação: 23/10/2009)- (sem grifos no original)

-COMPLEMENTAÇÃO DE APOSENTADORIA. CAIXA ECONÔMICA FEDERAL. AUXÍLIO ALIMENTAÇÃO. NATUREZA INDENIZATÓRIA. PREVISÃO EM NORMA COLETIVA ANTERIOR À ADMISSÃO. A Corte de origem consignou, expressamente, que os acordos coletivos instituídos a partir de 1987 estipularam a natureza indenizatória do auxílio-alimentação. Desse modo, sendo incontroverso nos autos que a reclamante foi admitida em 1989, durante a vigência de instrumento normativo que afastava o caráter salarial da parcela em comento, não há falar em violação ao art. 5º, XXXVI, da Constituição da República. Recurso de revista não conhecido. ( RR - 614785-71.2007.5.12.0014 , Relator Ministro: Walmir Oliveira da Costa, Data de Julgamento: 12/08/2009, 1ª Turma, Data de Publicação: 21/08/2009)- (sem grifos no original)

-AGRAVO DE INSTRUMENTO EM RECURSO DE REVISTA. AUXÍLIO-ALIMENTAÇÃO. NATUREZA JURÍDICA INDENIZATÓRIA APLICÁVEL AOS EMPREGADOS ADMITIDOS APÓS A NORMA COLETIVA. A decisão recorrida está em consonância com a iterativa, notória e atual jurisprudência do TST, que se orienta pela validade da cláusula coletiva que dispõe sobre a natureza jurídica do auxílio-alimentação, tese amparada pelo art. 7º, XXVI, da Constituição Federal. Óbice do artigo 896, § 4º, da CLT. Agravo de instrumento conhecido e não provido- (TST-AIRR-1243/2007-018-06-40, 8ª Turma, Relatora Ministra Dora Maria da Costa, DEJT 31.7.2009).- (sem grifos no original)

-RECURSO DE REVISTA. AUXÍLIO-ALIMENTAÇÃO. ADMISSÃO DO RECLAMANTE APÓS A PREVISÃO EM NORMA COLETIVA DE SUA NATUREZA INDENIZATÓRIA . A Corte regional registra que o reclamante foi admitido após a previsão em norma coletiva da natureza indenizatória do auxílio-alimentação. Assim, não é devida a integração salarial dessa parcela, com fulcro nos arts. 7º, XXVI, da Constituição Federal e 468 da CLT. Recurso de revista de que não se conhece- (TST-RR-628/2008-658-09-00, 5ª Turma, Relatora Ministra Kátia Magalhães Arruda, DEJT 19.6.2009).- (sem grifos no original)

Logo, a pretensão dos reclamantes de que se reconheça a natureza salarial do auxílio-alimentação no caso vertente encontra óbice no artigo 896, § 4º, da CLT e na Súmula nº 333.

Não conheço.

Em sede de aclaratórios, registrou:

(...)

Os reclamantes alegam que haveria omissão no v. acórdão embargado, pois todos os reclamantes foram admitidos pela reclamada antes de sua adesão ao PAT, mas somente foi deferido o pedido relativo à natureza salarial do auxílio-alimentação com relação aos reclamantes Frederico Marsicano e Jamile Julião. Invocam o artigo 458 da CLT e a Orientação Jurisprudencial nº 413 da SBDI-1.

Sem razão.

Como é cediço, prestam-se os embargos de declaração a sanar obscuridade, contradição, omissão ou erro material em sentença ou acórdão, nos termos dos artigos 535 do CPC e 897-A da CLT.

No presente caso, não se verifica nenhum dos vícios relacionados nos citados dispositivos, ficando claro que o objetivo dos embargantes é rediscutir questões relativas ao mérito da decisão que lhes foi desfavorável.

Senão vejamos.

O v. acórdão embargado registrou expressamente que a iterativa, notória e atual jurisprudência desta Corte é de que o estabelecimento da natureza indenizatória do auxílio-alimentação por meio de norma coletiva tem amparo no artigo 7º, XXVI, da Constituição Federal, devendo ser aplicado ao empregado admitido após a celebração do referido instrumento normativo. Na hipótese dos autos, o Tribunal Regional concluiu que o auxílio-alimentação recebido pelos reclamantes tinha caráter indenizatório, uma vez que suas admissões se deram após a vigência da norma coletiva.

Sendo assim, não se vislumbra no v. acórdão embargado nenhum defeito que exija saneamento pela via dos embargos de declaração.

Ressalte-se, ainda, que o fato de a decisão ter sido desfavorável aos reclamante não constitui motivo para a oposição de embargos de declaração, que não podem ser utilizados com a finalidade de propiciar um novo julgamento de matérias já apreciadas, devendo a parte utilizar o recurso adequado e cabível.

Pelas razões expostas, nego provimento aos embargos de declaração.

Os reclamantes postulam o reconhecimento do caráter salarial do -auxílio-alimentação-. Asseveram que, admitidos antes da adesão da CAIXA ao PAT (ocorrida em 1991), têm direito adquirido à natureza salarial da verba e reflexos. Indicam violação aos arts. 444 e 468, da CLT; contrariedade às Súmulas nº 51 e nº 241 e à OJ nº 413 da SBDI-1. Colacionam arestos ao dissenso de teses.

O recurso de embargos não merece seguimento.

Inicialmente, imperioso ressaltar que, nos termos do art. 894, II, da CLT, com a redação da Lei nº 13.015/2014, não se presta ao conhecimento do recurso de embargos divergência jurisprudencial não proveniente de Turmas do Tribunal Superior do Trabalho ou da própria SBDI-1, bem como a indicação de violação a dispositivos legais e/ou constitucionais.

No que concerne ao tema -natureza jurídica do auxílio-alimentação-, resta consignado pela Eg. 5ª Turma que o Tribunal Regional concluiu que o auxílio-alimentação recebido pelos reclamantes tinha caráter indenizatório, uma vez que suas admissões se deram após a vigência da norma coletiva.

Nesta senda, o recurso de embargos não se viabiliza por divergência jurisprudencial, ante a inespecificidade dos arestos colacionados ao dissenso pretoriano, nos termos da Súmula nº 296.

O primeiro julgado, proveniente da 1ª Turma, é inespecífico, pois embora registre que o reclamante teria sido admitido no ano de 1989, consigna a premissa de que o auxílio alimentação passou a ter natureza indenizatória somente após a adesão da reclamada ao PAT, de modo que, no período anterior, o título era pago com evidente cunho salarial, o que sequer foi refutado pela defesa. No caso dos autos, a situação é distinta, pois houve o registro de que anteriormente à adesão da CEF ao PAT (ocorrida em 20.05.1991), havia acordo coletivo (1987/1988) em vigor, o qual conferiu à parcela -auxílio-alimentação- a natureza de parcela indenizatória.

Por sua vez, o paradigma oriundo da 3ª Turma, não impulsiona o seguimento do recurso, conforme o teor da Súmula nº 296, pois, novamente, retrata hipótese em que a adesão da empresa ao PAT não atinge empregado admitido anteriormente à alteração da natureza jurídica da parcelam sob pena de alteração lesiva do contrato de trabalho.

Na mesma esteira, inespecíficos os julgados provenientes da SBDI-1. O primeiro, por retratar situação em que a natureza salarial da parcela -auxílio-alimentação- não restou afastada por norma coletiva, o que, definitivamente, não é o caso do processo em análise, já que restou patente que a norma coletiva alterou a natureza jurídica da parcela de salarial para indenizatória. Já o segundo, por se referir à situação em que a adesão da empresa ao PAT não conferiu natureza indenizatória ao -auxílio-alimentação-, já que a parcela continuou a apresentar características de cunho salarial.

Imperioso ressaltar, que a divergência jurisprudencial apta a impulsionar o recurso de embargos, conforme preceitua o art. 894, II, da CLT, há de ser específica, contendo as mesmas premissas de fato e de direito apresentadas no caso concreto, mas com resultado diverso.

Assim, qualquer peculiaridade distinta ao caso em julgamento, torna inespecífico o dissenso pretoriano, nos termos da Súmula nº 296, I, do TST.

Noutro giro, não restam contrariadas as Súmulas nº 51, I e nº 241, bem como a OJ nº 413 da SBDI-1, pois se observa que o decisum vergastado teve por fundamento a premissa de que o Tribunal Regional concluiu que o auxílio-alimentação recebido pelos reclamantes tinha caráter indenizatório, uma vez que suas admissões se deram após a vigência da norma coletiva.

Logo, incabível o recurso de embargos.

CONCLUSÃO

Em face do exposto e, com amparo no artigo 557, caput, do CPC e 81, IX, do RI/TST, nego seguimento ao recurso de embargos.

Publique-se.

Brasília, 27 de maio de 2015.

Firmado por assinatura digital (MP 2.200-2/2001)

Emmanoel Pereira

Ministro Presidente da Quinta Turma


fls.


Disponível em: https://tst.jusbrasil.com.br/jurisprudencia/194018552/embargos-declaratorios-recurso-de-revista-e-ed-rr-1750003620095030019/inteiro-teor-194018582