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30 de Novembro de 2021
2º Grau
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Tribunal Superior do Trabalho TST - AGRAVO DE INSTRUMENTO EM RECURSO DE REVISTA : AIRR 10593-36.2013.5.18.0122 - Inteiro Teor

Tribunal Superior do Trabalho
há 7 anos
Detalhes da Jurisprudência
Publicação
DEJT 04/02/2015
Relator
Maria de Assis Calsing
Documentos anexos
Inteiro TeorTST_AIRR_105933620135180122_706a4.pdf
Inteiro TeorTST_AIRR_105933620135180122_6d04d.rtf
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Inteiro Teor

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Advogado :Dr. Ricardo Pereira de Freitas Guimarães

Agravado :ANDRÉ LUIZ TROMBETA

Advogado :Dr. Osvaldo Gama Malaquias

D E S P A C H O

Trata-se de Agravo de Instrumento interposto contra despacho do Regional que negou seguimento ao Recurso de Revista em razão de estarem desatendidos os pressupostos do artigo 896 da CLT.

A parte agravada ofertou contraminuta ao Agravo de Instrumento e contrarrazões ao Recurso de Revista.

Não houve remessa dos autos à Procuradoria-Geral do Trabalho (art. 83 do RITST).

É o relatório.

Presentes os pressupostos legais de admissibilidade, conheço do Apelo.

O Regional denegou seguimento ao Recurso de Revista, pelos seguintes fundamentos:

PRESSUPOSTOS EXTRÍNSECOS

Tempestivo o recurso (acórdão publicado em 16/06/2014 - fl. 1-ID fdb3581; recurso apresentado em 24/06/2014 - fl. -IDa 632196) .

Regular a representação processual (fl . 1 - ID 809923).

Satisfeito o preparo (fls. 1-ID 1311009, 1 e 2-ID 1381005 e 1-ID db801a5).

PRESSUPOSTOS INTRÍNSECOS

DIREITO SINDICAL E QUESTÕES ANÁLOGAS / ENQUADRAMENTO SINDICAL.

SENTENÇA NORMATIVA/CONVENÇÃO E ACORDO COLETIVOS DE TRABALHO.

DURAÇÃO DO TRABALHO / HORAS IN ITINERE.

Alegação (ões):

- contrariedade à Súmula 21 deste Tribunal Regional do Trabalho.

- contrariedade à OJ 419 da SDI-1/TST.

- violação dos artigos , XXXVI, e , VI, XIII, XIV e XXVI, e 170 da CF.

- violação dos artigos 612 a 614 da CLT.

- divergência jurisprudencial.

A Recorrente não se conforma com a decisão regional que "invalidou a cláusula da convenção coletiva dos rurais que fixa a base de cálculo para pagamento das horas in itinere" (fl. 3-ID a632196). Outrossim, insurge-se contra o acórdão, aduzindo que deveria ter sido declarado o enquadramento sindical do Recorrido como industriário no período compreendido até 20/05/2011 em nome do princípio da segurança jurídica. Defende, assim, a validade da norma coletiva dos industriários, que prevê o pagamento de horas de trajeto, que fixa previamente o tempo de percurso de ida e volta ao trabalho, a base de cálculo como sendo o piso da categoria e a natureza indenizatória de referida parcela, considerando a autonomia privada coletiva conferida pela Carta Magna.

Consta do acórdão (fls. 3/5-ID 303bf5c):

"In casu, trata-se de empregador rural explorador de atividade agroindustrial, de modo que se aplica ao reclamante o instrumento coletivo da categoria dos rurícolas. Nesse sentido, o entendimento consubstanciado na OJ nº 419 da SDI-I do C.T S T, publicado no DEJT de 28 e 29. 06. 2012 e 02.07.2012, verbis:

'OJ-419. ENQUADRAMENTO. EMPREGADO QUE EXERCE ATIVIDADE EM EMPRESA AGROINDUSTRIAL. DEFINIÇÃO PELA ATIVIDADE PREPONDERANTE DA EMPRESA. Considera-se rurícola empregado que, a despeito da atividade exercida, presta serviços a empregador agroindustrial (art. , § 1º, da Lei nº 5.889, de 08.06.1973), visto que, neste caso, é a atividade preponderante da empresa que determina o enquadramento'.

Dessa forma, as normas coletivas firmadas pelo sindicato representativo da categoria dos industriários não são aplicáveis aos contratos de trabalho do autor.

(...)

A reclamada juntou as CCTs de 2011/2012, 2012/2013 e 2013/2014, todas firmadas pela Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Estado de Goiás, com vigência que abrange o período de 21.05.11 a 19.04.14, as quais limitam o pagamento a 1 hora por in itinere dia de trabalho, calculada sobre o piso da categoria. A base de cálculo das horas in itinere prevista nas normas coletivas considera somente o salário base normativo. Entretanto, o entendimento deste Regional é no sentido de que deve ser observada a remuneração realmente auferida do obreiro, conforme orientação contida em sua Súmula nº 16:

'HORAS IN ITINERE. BASE DE CÁLCULO. SALÁRIO VARIÁVEL. A parte variável do salário deve ser considerada na base de cálculo das horas in itinere. (RA nº 73/3010, DJE - 09.09.2010, 10.09.2010 e 13.09.2010)'.

Em sendo assim, impõe-se reconhecer o direito do reclamante de receber diferenças de horas in itinere entre o valor pago e o devido, considerando-se como base de cálculo a remuneração do obreiro, conforme deferido pelo juízo de origem."

Verifica-se que a Turma Regional definiu o enquadramento sindical do Autor amparada no entendimento cristalizado na OJ 419 da SDI-1/TST, o que inviabiliza o seguimento do recurso, inclusive por dissenso jurisprudencial, no particular (Súmula 333/TST).

Cabe ressaltar que a alegação de ofensa ao artigo , XXXVI, da CF, sob a argumentação de que a OJ 419/SDI/TST não pode alcançar o período em que o Autor trabalhou para a Reclamada anterior a 21/05/2011, ocasião em que o referido verbete jurisprudencial não havia sequer sido editado, não merece ser apreciada, uma vez que não houve debate explícito à luz do dispositivo apontado na via ordinária, sendo inviável fazê-lo na vereda da Revista.

Nesse passo, constata-se que é inviável o exame das questões relativas à possibilidade de transação acerca do tempo médio de percurso, da base de cálculo e da natureza jurídica por intermédio de instrumento normativo dos industriários, pois a Turma Julgadora entendeu que tais normas coletivas invocadas não se aplicam ao Reclamante, tendo em vista que, conforme acima mencionado, o considerou trabalhador rural. Dito isso, resta inviabilizado o exame da afronta apontada aos preceitos dos artigos , e 170 da CF e 612 a 614 da CLT.

Por outro lado, o posicionamento do Colegiado Regional quanto à invalidade do instrumento normativo dos rurais, no que tange à fixação da base de cálculo das horas in itinere como sendo o piso normativo da categoria, está em sintonia com a atual, iterativa e notória jurisprudência do Colendo TST, como se vê pelos precedentes seguintes oriundos da SBDI-1: E-ED-RR-135000-41.2008.5.15.0036, Rel. Min. Ives, Redator Ministro Luiz Philippe Vieira de Mello Filho, in DEJT 22/02/2013, E-RR-32-39.2011.5.15.0143, Rel. Min. Augusto César Leite de Carvalho, in DEJT 31/05/2013 e E-RR - 94300-57.2008.5.15.0154, Relator Ministro: Renato de Lacerda Paiva, in DEJT 21/06/2013, o que obsta o prosseguimento do apelo, inclusive por dissenso jurisprudencial, a teor da Súmula 333 do TST.

Cabe destacar, por fim, que é inadmissível, em sede de Recurso de Revista, assertiva de contrariedade a Súmula de Tribunal Regional, por falta de previsão legal para tanto, nos termos do artigo 896 da CLT.

CONCLUSÃO

DENEGO seguimento ao Recurso de Revista.

A parte agravante sustenta que, ao contrário do posicionamento adotado pelo despacho denegatório, estão configuradas as hipóteses previstas no artigo 896 da CLT, capazes de autorizar o processamento do seu Recurso de Revista.

Entretanto, os argumentos lançados no Agravo de Instrumento não demonstram nenhuma incorreção no entendimento adotado no despacho atacado, cujos fundamentos são aqui tomados como razões de decidir.

Com efeito, decisão recorrida foi proferida em harmonia com a Orientação Jurisprudencial 419 da SBDI-1 e com a Súmula 90, ambas desta Corte, o que impede o processamento do Recurso de Revista, a teor do art. 896, § 4º, da CLT e da Súmula 333 do TST.

A seguir, exemplares de jurisprudência envolvendo a mesma Reclamada, ora Agravante:

-AGRAVO DE INSTRUMENTO. RECURSO DE REVISTA - DESCABIMENTO. HORAS `IN ITINERE-. BASE DE CÁLCULO E NATUREZA JURÍDICA ESTABELECIDA POR NORMA COLETIVA. INVALIDADE. Ao determinar que as horas de trajeto sejam computáveis na jornada de trabalho, o art. 58, § 2º, da CLT confere à remuneração das horas `in itinere- nítida natureza salarial, que passa a compor o rol de garantias mínimas asseguradas aos trabalhadores. Assim, não há como se chancelar norma coletiva que objetive destituir a natureza salarial da parcela, mediante a instituição de base de cálculo diversa da remuneração, em prejuízo econômico do trabalhador. Agravo de instrumento conhecido e desprovido.- (AIRR - 624-76.2013.5.18.0128, Data de Julgamento: 26/02/2014, Relator Ministro: Alberto Luiz Bresciani de Fontan Pereira, 3ª Turma, Data de Publicação: DEJT 07/03/2014)

-AGRAVO DE INSTRUMENTO. HORAS IN ITINERE. NEGOCIAÇÃO COLETIVA. BASE DE CÁLCULO. SALÁRIO NORMATIVO. INVALIDADE. DESPROVIMENTO. Diante da consonância da decisão regional com a jurisprudência desta c. Corte, e da ausência de violação dos dispositivos invocados não há como admitir o recurso de revista. Agravo de instrumento desprovido.- (AIRR - 879-34.2013.5.18.0128, Data de Julgamento: 19/02/2014, Relator Ministro: Aloysio Corrêa da Veiga, 6ª Turma, Data de Publicação: DEJT 21/02/2014)

-AGRAVO DE INSTRUMENTO. RECURSO DE REVISTA - DESCABIMENTO. ENQUADRAMENTO SINDICAL. HORAS `IN ITINERE-. Não merece ser provido o agravo de instrumento em que não se consegue infirmar os fundamentos do despacho denegatório do processamento do recurso de revista. Agravo de instrumento conhecido e desprovido.- (AIRR - 889-78.2013.5.18.0128, Data de Julgamento: 12/02/2014, Relator Ministro: Alberto Luiz Bresciani de Fontan Pereira, 3ª Turma, Data de Publicação: DEJT 14/02/2014)

-AGRAVO DE INSTRUMENTO EM RECURSO DE REVISTA. RITO SUMARÍSSIMO. HORAS IN ITINERE. ALTERAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO POR MEIO DE NORMA COLETIVA. IMPOSSIBILIDADE. Prevalece nesta Corte o entendimento de que, ante o prejuízo ao trabalhador, é inválida a norma coletiva que altera a base de cálculo das horas in itinere. Agravo de instrumento conhecido e não provido.- (AIRR - 1065-57.2013.5.18.0128, Data de Julgamento: 05/02/2014, Relatora Ministra: Dora Maria da Costa, 8ª Turma, Data de Publicação: DEJT 07/02/2014)

-AGRAVO DE INSTRUMENTO. RECURSO DE REVISTA. HORAS IN ITINERE. ENQUADRAMENTO JURÍDICO DO RECLAMANTE COMO EMPREGADO RURAL. PRESSUPOSTOS DA SÚMULA 90 DO TST PARA O RECEBIMENTO DA PARCELA REGISTRADOS NA DECISÃO RECORRIDA. NÃO PROVIMENTO. Nega-se provimento a agravo de instrumento pelo qual o recorrente não consegue infirmar os fundamentos do despacho denegatório do recurso de revista.- (AIRR - 1078-27.2011.5.18.0128, Data de Julgamento: 04/12/2013, Relatora Ministra: Kátia Magalhães Arruda, 6ª Turma, Data de Publicação: DEJT 06/12/2013)

Por esses motivos e ainda em atenção ao que dispõe o artigo 5.º, inciso LXXVIII, da Constituição Federal, mantenho o despacho agravado, por seus próprios fundamentos.

Ante o exposto e com fundamento nos artigos 557, caput, do CPC, e 106, X, do Regimento Interno do TST, nego seguimento ao Agravo de Instrumento.

Publique-se.

Brasília, 03 de fevereiro de 2015.

Firmado por assinatura digital (MP 2.200-2/2001)

Maria de Assis Calsing

Ministra Relatora


fls.


Disponível em: https://tst.jusbrasil.com.br/jurisprudencia/165425845/agravo-de-instrumento-em-recurso-de-revista-airr-105933620135180122/inteiro-teor-165425930

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